"(...) a Beleza Convulsiva nada é senão outra expressão do Maravilhoso, o grande conceito-talismã do próprio surrealismo."
"(...) o estudo das funções semiológicas da fotografia ofereceria uma melhor resolução dos problemas colocados pela heterogeneidade do surrealismo do que as propriedades formais que determinam as categorias estilísticas tradicionais da história da arte."
"(...) Breton define sua Beleza convulsiva por três grandes tipos de exemplos. O primeiro pertence ao gênero do mimetismo - o caso em que, na natureza um objeto imita o outro (...).
O segundo exemplo fornecido por Breton é o da expiração do movimento - a percepção de um objeto que deveria estar em movimento mas que foi interrompido, que foi descarrilhado, ou, como teria dito Duchamp, que teria sido "atrasado". (...) A beleza convulsiva do objeto e a excitação produzida por ele se devem ao fato do objeto ter sido percebido como algo separado da continuidade de sua própria existência natural (...)
O terceiro exemplo dado por Breton é o do achado - quer se trate de objetos ou fragmentos de palavras sucessivas: dois exemplos de objetos casuais em que um emissário pertence ao mundo externo traz uma mensagem que revela seu próprio desejo ao destinatário. O achado é um
signo deste desejo."
"O enquadramento fotográfico é sempre percebido como uma ruptura no tecido contínuo da realidade."
"A máquina fotográfica veste esta nudez, arma esta fraqueza e atua como uma espécie de prótese, ela acresce as capacidades do corpo humano."
KROSS, Rosalind.
O Fotográfico, cap. Fotografia e Surrealismo.
Não sei se pretendo trabalhar com o surrealismo em meu projeto, ao menos não o surrealismo de maneira crua. No entanto, tal corrente está presente em praticamente todo o meu processo de criação artística, mesmo que seja somente como linguagem estética. Portanto, achei importante ler esse texto, uma vez que provavelmente vou aplicar ou desenvolver muitas destas ideias durante meu processo, quer queira, quer não.